Havia uma pedra QUE ERA o caminho

12 Novembro, 2009 at 12:26 am | In Coisa minha, Dia-a-Dia, Diversão | 2 Comments
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O Rio de Janeiro estava insuportavelmente quente durante essa semana que eu estive lá. E claro, se eu queria dar um pulinho na praia os dias eram esse, apesar de ser impraticável andar debaixo daquela soleira toda. Bom, mas fomos.

Depois do feriado, pegamos o primeiro ônibus e partimos pra praia de Itacoatiara com o intuito de subir a pedra gigante, mais conhecida como costão. Pegaríamos um sol nada baixo de meio-dia, mas fomo com fé, coragem e pasmem, vontade.

Água na bolsa, calor até na alma iniciamos nossa caminhada. Raquel, que já havia subido uma vez queria testar seu fisico novamente, inconformada com a última experiência. Eu, preguiçosa da vida, queria era alguma aventura. Enquanto atravessavámos o pedacinho de mata do ínicio, ela começou a reclamar que já se cansava e eu confesso, até me achei porque estava suportando bem.

Doce engano. Quando dizem que no começo tudo são flores, tenho que concordar. Ao ver que a subida ia realmente começar, eu já quis desistir por ali mesmo. Simplesmente não consegui me imaginar subindo aquele começo. Algo estupidamente íngreme. Não sei como eu subi, e já me encontrei despreparada só de pensar no que estava por vir. Com algum esforço e um tanto de medo subi mais um pouco. E ainda conseguia sorrir, a aventura estava com cara de aventura.

O sol não estava fraco não viu? O suor escorria sem pedir licença, o cansaço era grande e pra cada 5 passos era dois minutos sentada descansado. Depois te conto em quanto tempo fizemos o trajeto de ida e volta.

Confesso, que o humor para fotos começou a desaparecer assim que o medo se instalou na minha pessoa. Raquel insistia e eu fazia cara de “desliga essa câmera”. Não fazia noção nenhuma de quanto ainda faltava. Só conseguia enxergar que a parada estava cada vez mais assim:  l . E como sobe uma parede? Não sei, não sou homem aranha nem super herói. Comecei a realmente ficar com medo. Muito medo. Veja pela minha cara.

Chegamos em um pedaço em que eu simplesmente travei. Raquel subiu e eu não consegui de jeito nenhum, nem tentar. De havaianas, meu pé virava toda hora e eu consegui enxergar claramente o meu corpo rolando pedra abaixo. E vi que o medo é algo que te impede de seguir adiante. Eu não consegui nem tentar e tive vontade de descer correndo, chamar o resgate, pular dali mesmo. A vista já era linda, mas isso pouco me importava. Não entrava na minha cabeça como eu podia caminhar por algo tão íngreme. Eu tentei ajoelhada, o que resultou nos joelhos ralados, na pedra quente e imperfeita. E nem assim eu conseguia, era pior. Raquel ficava tentando me ensinar, me focando e dizendo que do jeito que eu estava fazendo era o pior. Mas foi díficil conseguir. Tive que respirar fundo 145142 vezes até de qualquer jeito passar por aquela parte.

Então era mais parada pra descansar a todo instante. Até voltar um pedaço, porque erramos o caminho ,tivemos que fazer. Ah, o trem já era dificil, e ainda ter que ficar arriscando me matava. As pessoas passavam e subiam e a gente ali. Claro, na hora da foto a gente força um sorriso com os pés bemm ficados no chão. O cansaço, eu nem falo mais né? Temperatura de 87°.

Tinha momentos que eu olhava pra cima e  só via isso:

E era isso que eu repetia a cada segundo. “Raquel, vamos voltar”. “Quer descer”. “Você quer mesmo continuar?”. Juro, eu estava cansada, com sede, calor, e medo, muito medo. Não era preguiça, era realmente o medo que me fazia querer me teletransportar dali pra terra firme e no baixo. Mas, quem tá na chuva, é pra se molhar. E então, lá fomos nós. Acho que o pior já tinha passado, e se segurando nos galhinhos finos das plantas, descansando de 1 em 1 minuto, tirando fotos e falando da vida. Bom, nós enfim, chegamos. Fomos recebidas pelos dois caras que tinham nos indicado a direção certa há algum(bom) tempo atrás. A primeira coisa que eles disseram? “Achei que vocês tinham desistido” :X Nada moço, só descansamos muito! :D

E então, só restava respirar e apreciar a paisagem.

Fotos, porque elas falam mais que palavras agora.

Como normalmente acontece, sofremos, suamos e nos cansamos por tanto tempo e ficamos lá em cima por 5 minutos. A paisagem é maravilhosa, o ventinho era relaxante apesar do sol continuar a pino. Mas, a vontade de descer e tomar aquela coca bem gelada e mergulhar naquela água igualmente fria lá debaixo era grande, muito grande. Com câmera em punho e direito a vídeo, logo partimos pedra abaixo.

A descida é de longe mais rápida, fácil(com descida de bunda em alguns trechos) e tranquila que a subida. Apesar de ter que apertar o passo e ainda sofrer com um medinho, o controle é bem maior e com o desejo de estar lá embaixo batendo o sorriso por estar indo embora era grande.

Eu mal podia acreditar quando finalmente coloquei meus pés na rua, plana e segura. Estava morta, um caco e só queria a minha coca bem gelada que foi a mais gostosa que tomei dos últimos tempos. Encerramos com um mergulho naquela águinha congelante com ondas gigantes!

O que eu levo dessa experiência? História. Percebi que tenho um medo latente de altura. E que o temor pode te impedir de seguir adiante em muitas coisas na vida. É preciso coragem, lutar contra ele, encher o peito de coragem e ir em frente. Aprendi que a calma é nossa amiga nessas horas e que de nada adianta se desesperar. Ah, confirmei que sou estupidamente sedentária, mas na verdade muito menos do que pensei. E, apesar de não ter planos nenhum de voltar nesse lugar, essa é uma aventura que eu recomendo. Por que a melhor coisa que eu levo disso tudo é a sensação de liberdade que sentimos ao chegar no topo, ver que podemos e que somos um pedacinho de nada em meio a imensidão da natureza tão perfeita. E isso, não tem preço. Levarei comigo pra sempre!

nat1

Quanto vale um sonho?

26 Julho, 2009 at 12:18 am | In Coisa minha, Sonhos | 4 Comments
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Se me perguntassem quanto vale um sonho, eu seria direta na minha resposta: Meu sonho vale o quanto eu estou disposta e apta a pagar por ele.

Pode ser que seu preço seja absurdo, abusivo e tentador a ser deixado de lado. Mas, o que fazer quando essa é a única opção de realizá-lo? Se eu posso pagar por ele, ainda que contando os meus últimos centavos? Com certeza, eu vou ceder, engolir qualquer orgulho, e entrar de cara naquilo que há tempo eu espero.

É muito fácil julgar quem aposta alto em seus sonhos. Quem dá tudo o que tem por algo que pra muitos, é claramente rídiculo. Aquele que passa por cima de prioridades buscando apenas um segundo de felicidade. Muito, muito fácil rir do outro por estar sendo tão bobo a ponto de se submeter a qualquer absurdo por um momento que talvez, nem possa ser chamado de sonho.

Sonho é de quem sonha. Ninguém tem direito de dizer não ser. Se é conhecer o mar ou dar a volta ao redor do mundo, não importa! É problema, exclusivo, de quem se permite sonhar.

O valor dele, importa sim. Pode ser que o sonhador não tenha, e a frustração venha com antecedência. Como pode ser também que ele tenha de sobra, e se frustre do mesmo jeito por não ser o que esperava. Acima de tudo, pode ser que as condições não seja as melhores, mas ele tenha o suficiente para ir até ali, sonhar. Que seja fora de sua realidade fazer qualquer loucura, mas peraí…um sonho não é o oposto de uma realidade?Ou o caminho para ela? Então, porque não tentar? Eu tenho certeza de uma coisa: a frustração de não ter tentado, enfrentado, se jogado é muito maior do que amarelar no toque das primeiras ondas.

E para os que criticam, julgam e só sabem repetir se vale mesmo a pena dar tanto por tão pouco, eu deixo outra pergunta. Por que ao invés de perguntar quanto vale o meu sonho, você não pergunta quanto vale a minha felicidade ao realizá-lo? Eu te garanto…o que eu paguei lá na frente, não é nada diante dela!

Daqui a alguns dias, eu vou sair sem olhar pra trás, em direção a esse destino. Com a cara e a coragem vou aproveitar a mega oportunidade e o empurrão dado pelo destino, e vou ali, fazer real um dos meus muitos sonhos. Um sonho de fã, sim, com licença!

E quando eu voltar, trarei aqui mais que uma foto que eu sempre quis ter. Irei trazer um momento que eu por tanto tempo, sonhei viver…

P.s: Crédito “Coming soon” – Kit capture the moment by Designs by lili and Kate hadfield.

nat1

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